Could create table version :No database selected Em um mês, mãe, pai e filho são levados pela covid-19 - Alerta Carioca

Rodrigo Pessanha relembra dias de dor inexprimível em que acompanhou a luta de Roberto, Regina e Fábio pela vida: ‘aterrorizante’

Campos — Na velocidade de um pensamento ruim, a vida de Rodrigo Pessanha Leandro foi devastada pelo coronavírus. No intervalo de 24 dias, entre 25 de julho e 18 de agosto, ele perdeu o pai Roberto, a mãe Regina e o irmão Fábio. Todos levados pela covid-19 num ímpeto avassalador, que Rodrigo ainda não conseguiu processar. Um luto atropelado por outro luto, e mais outro.

“Só queria que 2020 tivesse acabado em maio, quando nasceu meu filho mais novo”, diz Rodrigo, de 35 anos, advogado como o pai.O suplício da família Pessanha Leandro começou no dia 4 de julho, quando Regina Marcia foi internada no Hospital Dr. Beda. Uma semana depois, seu marido Roberto também deu entrada na mesma unidade. Nesse tempo, Fábio, o mais velho de quatro irmãos, cuidou dos dois. Solteiro e sem filhos, decidiu preservar Rodrigo, Flavia, de 38 anos, e Roberto, de 40. Ele adoeceu e, duas semanas depois de seu pai, foi internado no hospital da Unimed Campos.A partir daí, foram dias inimagináveis, de ansiedade constante, aguardando por notícias da mãe. E do pai. E do irmão.“É inacreditável. Você vê muitas famílias sofrendo por essa doença terrível, mas dessa forma, é algo que ninguém espera passar. Tenho evitado ler os jornais, mas até procurei ver se outras pessoas passaram pela mesma situação que nós”, conta Rodrigo.“E a angústia quando recebi a notícia de que minha mãe tinha sido entubada? E logo depois o meu pai, e o meu irmão. É aterrorizante”.Rodrigo diz que segue adiante a base de remédios, e faz acompanhamento psicológico. Compartilhar o sofrimento com os outros irmãos também tem sido decisivo para suportar um momento inconcebível. Eles se ligam diariamente, procuram saber como estão, cobram que todos se cuidem e se protejam.O jovem advogado diz que ainda não foi capaz de absorver o impacto de tamanho choque — “a ficha ainda não caiu”— mas a solidariedade e o carinho recebidos de parente, amigos e conhecidos, mesmo que a distância, têm sido a forma possível de atravessar o luto. Uma vez que não puderam nem se despedir adequadamente com a presença de todos, por causa das restrições para o enterro das vítimas da covid-19.Para evitar volta ao lockdown, prefeitura amplia proibições que quer que multa vire lei“Dividir a dor ajuda, mas em alguns momentos é muito difícil. Todo finzinho de tarde minha mãe me ligava, chamava para tomar um café com ela, perguntava como a gente, os netos estavam. A ausência é maior nessas horas”, relembra Rodrigo.“Perdemos os três pilares da família. Éramos muito unidos. Meu irmão era como um pai mais novo para mim, meu apoio para tudo. É um sentimento que não consigo expressar”.Roberto Passos Leandro morreu de covid-19 aos 72 anos. Regina Marcia Pessanha Leandro morreu de covid-19 aos 72 anos. Fábio José Pessanha Leandro morreu de covid-19 aos 44 anos.

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